Os seis cortes que “forçaram” a interrupção da circulação rodoviária na Estrada Nacional número Um, no troço entre 3 de Fevereiro e Incoluane, na Província de Maputo, já foram repostos, o que culminou com a reabertura, hoje, 30 de Janeiro, da via uma semana antes do previsto.
O comboio de passageiros disponibilizado pela Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) que saiu às nove horas de hoje, da Estação Central de Maputo, já está no Distrito de Magude, na Província de Maputo. Espera-se que este comboio ajude a transportar pessoas que ficaram retidas em diversos pontos da província de Gaza devido às cheias que assolam a zona Sul do País e que resultaram no corte da Estrada Nacional Número Um (N1).
O Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, mobilizou a embarcação Ka Nyaka para o transporte de mantimentos para os afectados pelas cheias na província de Gaza e, no regresso a Maputo, a mesma transportará entre 150 a 200 passageiros que paragão uma tarifa social de 300 meticais.
O Ministro dos Transportes e Logística efectuou, hoje (24 de Janeiro), uma visita de trabalho à Província de Gaza, onde escalou os distritos de Chongoene, Chibuto e Cidade de Xai-Xai.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, visitou hoje, 23 de Janeiro, os principais pontos afectados pelas cheias a nível da província de Maputo, com destaque para a estrada Marracuene/Macaneta em Marracuene; os principais pontos de constrangimento ao longo da Estrada Nacional número Um (N1), nomeadamente Mahocha homo; Chulavecane e Incoluane para se inteirar da situação prevalecente.
“Estamos aqui para fazer o acompanhamento dos trabalhos que estão a decorrer a um nível da província de Maputo, no âmbito das cheias e inundações que temos este ano de 2026. A primeira situação que encontramos ao nível da província, que já é pública, foi a degradação das infraestruturas públicas, com particular destaque para as estradas”, explicou.
Matlombe recordou que a N1, uma via extremamente importante para o país, ficou gravemente afectada, o que dificulta a transitabilidade. “Não haverá condições para garantir a reposição, pelo menos, nos próximos 15 dias”.
É que antes de intervenções de vulto, há necessidade de deixar as águas baixarem, enquanto é feita a avaliação sobre o tipo de intervenções a serem levadas a cabo. Entretanto, o titular da pasta de Transportes e Logística mostrou-se preocupado com a concentração dos transportadores tanto na margem sul, como na margem norte, do lado de Gaza.
“Os que vêm do lado de Maputo, o recomendável é recuar porque vai ser desgastante ficar duas ou três semanas sem condições básicas, pois estão na via pública, sem sanitários, alojamento e com todos os riscos que daí advém”.
Matlombe reforçou que não é aconselhável que permaneçam naqueles locais porque não haverá condições de transitabilidade. Por outro lado, “precisamos terminar todo o levantamento a ser feito, pois existe seis cortes ao nível da N1, sendo esta a zona mais crítica e bastante profunda”.
No entanto, enquanto se aguarda a redução das águas para intervenções ao longo da N1, o Governo está a trabalhar na Estrada Alternativa de Moamba para, na medida em que as condições permitirem, se faça a reposição daquela via como estrada imediata de acesso à N1, de modo garantir a conectividade entre as zonas sul e centro-norte do país.
Ainda durante a visita, Matlombe usou da oportunidade para apelar à todos os moçambicanos que que tencionam se deslocar para Maputo e vice-versa, para não o fazerem, uma vez que neste momento não há condições para fazer as viagens. “Continuamos, com alguma preocupação, a assistir situações de passageiros, transportadores que saem com passageiros das províncias de Sofala, Manica, Tete de Zambézia, até a província de Gaza, criando alguma pressão para a logística na província de Gaza. É desnecessário”.
Acrescentou que a província já está com alguma pressão para garantir a assistência às famílias que perderam tudo. “Queríamos apelar aos transportadores para que compreendam que não há condições para chegar a Maputo. Com isso, acabam concentrando-se na província de Gaza e gerando essa externalidade negativa que cria pressão na organização e o funcionamento de toda a logística”.
Do ponto de vista logístico, fez saber que o Governo está organizado para dar assistência à província de Gaza através da cabotagem marítima que começa amanhã a partir de Porto de Maputo. Ao mesmo tempo, está a trabalhar com a província de Inhambane para ver como é que pode reforçar, tendo em conta que também recebe parte da alimentação a partir da cidade de Maputo. “Estamos a criar condições para ver se também conseguimos reforçar a alimentação da província para que não haja ruptura de estoque e possamos evitar qualquer situação de especulação de preço”.
Na mesma senda, aumentamos os voos para a província de Gaza, por exemplo, ontem fizemos cinco voos de ida e cinco de volta, o que garantiu o transporte de mais de 1.800 passageiros da província de Gaza para a cidade de Maputo e vice-versa.
“Vamos aumentar os voos a partir da manhã para a cidade de Inhambane e Vilanculos vão ter voos adicionais como forma de diminuir a pressão. Sobretudo, para os passageiros que querem regressar de férias”.
Outra solução que será usada nos próximos dias é a linha férrea, isto depois da realização de uma inspecção que mostrou que estão criadas condições de transportar pessoas e mercadorias até Magude.

