De acordo com o Ministro dos Transportes e Comunicações, Eng. Carlos Mesquita que revelou o facto, a medida surge como resultado do esforço do Governo para conferir maior competitividade e eficiência do Corredor de Maputo. "O transporte de magnetite via ferroviária, não só está a contribuir no descongestionamento da Estrada Nacional n.4, mas também confere melhorias na cadeia logística em geral, se tiver em linha de conta que o modo ferroviário contribui para a redução dos custos de transporte, quando comparado com a via rodoviária que era predominantemente usada."

Com uma capacidade de 4.650 toneladas por viagem, o comboio de magnetite que liga a RSA e o Porto de Maputo, através da linha férreade Ressano Garcia permite a redução de pelo menos 145 camião/dia, totalizando cerca de 725 camiões por semana, apenas num só sentido, cifra que deverá ser consolidada, esperando-se que até ao final do ano a mobilidade na EN4 e o congestionamento de camiões no acesso ao Porto conheça melhorias significativas.

Para Mesquita, a introdução do comboio de magnetite deve ser vista como resultado da visão integrada entre o sistema ferroviário e o manuseamento portuário que o Governo tem vindo a promover. "Temos estado a trabalhar para que os investimentos que estão a ser feitos no Porto de Maputo sejam acompanhados por medidas profundas de melhoria do desempenho da linha de Ressano Garcia para atender, de forma harmonizada, o crescimento da demanda, sendo a introdução deste comboio um passo importante a ser consolidado", disse o Ministro.

O Porto de Maputo tornou-se ainda mais competitivo nos mercados regionais e internacionais, com a recente conclusão da dragagem do canal de acesso, que passou de 11 para 14 metros de profundidade, permitindo o acesso àquela infra-estrutura de navios de porte até 120 mil toneladas. Iniciada no terceiro trimestre de 2015, a dragagem do canal de acesso ao Porto de Maputo custou 84.1 milhões de dólares norte-americanos e enquadra-se numa estratégia que irá permitir que o Porto atinja a meta estabelecida de manusear 40 milhões de toneladas até 2020.


Por outro lado, para conferir maior capacidade à Linha de Ressano Garcia, está pestes a iniciar a implementação de um pacote de cerca de USD 120 milhões na aquisição de equipamento rolante e melhoria da linha férrea. No concreto prevê-se, ainda este ano, a instalação dum sistema centralizado de comando de circulações, o aumento da extensão dos cruzamentos de 1000 para 1500 metros, reforço de 3 pontes e substituição de alguns carris e travessas de betão. Em função da evolução da demanda, está prevista a aquisição de 3 locomotivas de 3000 HP e 100 vagões, para a melhoria de tracção nesta linha, de capital importância para o Corredor de Maputo.

A reconquista das cargas tradicionalmente ferroviárias que são transportadas pelo modo rodoviário no Corredor de Maputo, afigura-se como de capital importância para a economia do País, quer na melhoria da mobilidade ao longo da EN4, segurança rodoviária, para além de contribuir para a melhoria da receita cobrada pela empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, através da maior utilização da linha férrea de Ressano Garcia.

A estrada Nacional n.4 registava uma avalanche de camiões, maioritariamente sediados na vizinha África do Sul transportando minério à granel, carga tradicionalmente ferroviária. O transporte deste tipo de mercadorias através de camiões, para além de causar os tradicionais constrangimentos ligados à mobilidade na via pública, destorcem os custos de transporte tornando as operações mais caras, incrementam o consumo de combustíveis, entre outros impactos negativos.