“Quero vos encorajar a continuar com a revitalização do sistema de cabotagem. Que todo o colectivo da instituição trabalhe nesse sentido”, frisou o Chefe do Estado, quando presidia o Conselho Consultivo Alargado, na âmbito da visita de trabalho ao MTC.

Após visitar as empresas LAM-Linhas Aéreas de Moçambique, EMTPM-Empresa Municipal de Transportes Públicos de Maputo, INATTER-Instituto Nacional de Transportes Terrestres, Porto de Maputo e o INCM-Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique, o Presidente da República disse ter ficado com a percepção de que nas instituições ligadas ao MTC e nas empresas tuteladas “existe um forte défice de mentalidade empresarial e visão comercial”, tendo recomendado para a necessidade de reduzir “a atitude de chefia”, por parte dos gestores.

Filipe Nyusi considerou que o sistema dos Transportes e Comunicações está a explodir: “Como é que alguém tem aviões para voar e nós não o deixamos, mas dizemos que o espaço aéreo está aberto?”, questionou.

Sobre a LAM, o estadista disse haver ainda muito trabalho por realizar. Apontou a diversificação das marcas dos aviões da frota da empresa como um dos principais constrangimentos da transportadora pública.

“Essa diversificação contribuiu para dar cabo da empresa. Os pilotos não estão certificados para operar com aviões das diferentes marcas que a LAM possui, para além de que a empresa precisa de ter licenças de compra de peças para cada marca”, indicou o Presidente da República, que visitou diversas áreas da empresa, incluindo o hangar.

Num outro desenvolvimento, Filipe Nyusi referiu que o Governo já instruiu o Ministério para intervir com profundidade na empresa, podendo, inclusive, ser “quebrado o mito de transportadora de bandeira nacional” que a LAM ostenta.

Relativamente à actual situação dos transportes públicos urbanos de passageiros, o Presidente da República considerou que o problema que se coloca não é apenas da carência dos meios.
“O sector precisa de uma reestruturação profunda. Temos que saber o que queremos com os transportes públicos urbanos”, disse, mostrando preocupação pelo facto de muitos autocarros das empresas públicas de transportes urbanos de passageiros estarem paralisados, devido a pneus furados, entre outras avarias ligeiras.

Como solução para este problema específico, o MPDC-Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo e a empresa CFM-Caminhos de Ferro de Moçambique asseguraram ao Chefe do Estado que vão dar assistência técnica dos autocarros à EMTPM, bem como a reabilitação das oficinas.

A migração da radiodifusão analógica para digital e a conclusão da política de segurança rodoviária em Moçambique constituíram igualmente alguns dos aspectos que foram objecto de apreço por parte do Presidente da República durante a reunião do Conselho Consultivo Alargado do MTC.