Carlos Mesquita que falava este domingo, 19 de Março, na cidade de Maputo, no lançamento do Projecto de Migração Digital em Moçambique.

Para Mesquita, a migração digital não deve configurar-se como uma mera mudança de infra-estruturas de rede de transmissão, sem qualquer valor acrescentado para os cidadãos. "Tudo está a ser feito para que toda a população continue a ter acesso à televisão, devendo a migração garantir a expansão e a melhoria da qualidade do sinal e conteúdos transmitidos", disse.

Ainda no seu discurso, Carlos Mesquita garantiu que o Governo está a trabalhar na criação de mecanismos que estimulem uma maior disponibilidade e acessibilidade de conversores de sinal, por forma a que a população tenha acesso à televisão digital. Todavia tranquilizou o povo moçambicano ao anunciar que “o lançamento do projecto de Migração Digital não deve ser entendido como o fim automático das transmissões analógicas”.

O lançamento do Projecto de Migração Digital, conforme explicou Carlos Mesquita durante a sua intervenção, é o culminar de várias acções, entre as quais a adopção, em Dezembro de 2010, do padrão tecnológico da migração digital DVB-T2, a criação da Comissão para a Implementação da Migração Digital (COMID), bem como a elaboração da Estratégia de Migração da Radiodifusão Analógica para Digital.

“Compreendeu, ainda, a criação da empresa de Transporte, Multiplexação e Transmissão (TMT SA); a implementação do projecto piloto de televisão digital terrestre que permitiu a montagem de 18 emissores digitais em todas as capitais provinciais e zonas fronteiriças, bem como o lançamento de um concurso internacional para a implementação do projecto de migração digital ”, acrescentou o ministro.
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Intervindo também na cerimónia, o embaixador da República Popular da China em Moçambique, Su Jian, definiu este Projecto de Migração Digital como o programa de cooperação mais importante existente nas relações bilaterais entre Moçambique e China.
Referiu que “a concretização deste projecto melhorará as condições de acessibilidade da população moçambicana às informações e culturas muito mais diversificadas, o que, de certo modo, contribuirá para o desenvolvimento sócio-económico de Moçambique”.
Para além da implementação do Projecto da Migração Digital, Su Jian lembrou que a parte chinesa doou a Moçambique, em Agosto do ano passado, um conjunto de equipamentos modernos de produção e transmissão televisiva, nomeadamente 10 canais de câmaras; equipamento para infografismo; duas unidades de replay; uma mesa de mistura de áudio com 98 vias; um estúdio de informação equipado com duas câmaras áudio-digital e sistema de transmissão via satélite integrado.

“A parte chinesa realizará, ainda, o projecto de acesso aos programas de televisão por satélite em centenas de aldeias moçambicanas”, garantiu o embaixador chinês.
Importa referir que o Grupo StarTimes é a companhia seleccionada em concurso público internacional para a implementação do Projecto de Migração Digital em Moçambique, um processo que conta com o apoio e financiamento do Governo da República Popular da China e financiamento de mais USD 150 milhões a serem desembolsados pelo Exim Bank, uma instituição financeira daquele país asiático.