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O acordo para a materialização deste projecto foi celebrado esta terça-feira, 19 de Abril, em Maputo, entre a MPDC – Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo e a Jan de Nul Dredging Middle East FZE,

uma empresa internacional de dragagem dos Emiratos Árabes Unidos líder no mercado e aprovada na sequência de um concurso internacional lançado para o efeito.

O aprofundamento do canal do Porto de Maputo dos actuais 11 metros para até 14.2 metros constitui um dos principais projectos desenvolvidos pela MPDC e pelos vários operadores de terminais do Porto de Maputo.

Intervindo na cerimónia, o Ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, referiu que a dragagem visa a criação de condições para uma navegação segura e garantir que os navios com maior capacidade procedam à sua atracação e desatracação e manobras em segurança, tornando o Porto de Maputo mais competitivo.

“Pretendemos garantir uma maior rotação dos navios, para que o Porto se capitalize e tenha melhores condições de recebimento de cargas, não só ao nível da carga doméstica, como também da carga internacional, porque é uma das grandes obrigações que temos como País, com corredores para os países do interland”, frisou o governante.

Na ocasião, foi ainda assinado um Memorando de Entendimento entre o Ministério dos Transportes e Comunicações e a Jan de Nul Dredging Middle East FZE, que tem por objectivo a capacitação de técnicos moçambicanos em matéria de dragagem.

A propósito deste acordo, Carlos Mesquita explicou que a MPDC teve luz verde do Ministério dos Transportes e Comunicações para, juntamente com a Jan de Nul Dredging Middle East FZE, garantir o enquadramento de cadetes em formação, na Escola Superior de Ciências Náuticas de Maputo, e alguns quadros da Empresa Moçambicana de Dragagem (EMODRAGA) e Instituto Nacional de Hidrografia e Navegação (INAHINA) no processo de dragagem do Porto de Maputo de modo a capacitarem-se com as novas tecnologias.

“Trata-se de uma formação para os técnicos moçambicanos, pelo que Moçambique espera, após os dez meses de dragagem, ficar com a mão-de-obra qualificada para fazer face aos desafios que o País tem pela frente”, sustentou o Ministro.

Importa salientar que a última dragagem do canal do Porto de Maputo permitiu o acesso de navios de até 65 mil toneladas, o que contribuiu para o aumento do terminal de ferro-crómo, o novo terminal de cereais, a expansão do terminal de contentores e a reabilitação dos cais três, quatro e cinco.

Investimentos superam USD 700 milhões

O Porto de Maputo já beneficiou de investimentos de mais de 700 milhões de dólares norte-americanos, desde que o Governo Moçambicano decidiu concessionar o empreendimento para a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), constituída por 51% de capitais privados e 49% da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), 2003. O investimento foi empregue na dragagem, galpões, lajes, estradas, portões, sistemas de comunicação e informação e equipamento diverso.

Para Osório Lucas, Director Executivo do Porto de Maputo, a companhia alcançou vários êxitos desde o início do período de concessão: “entre 2003 e 2015 obteve um crescimento no volume de operações na ordem dos 286 por cento”, sustentou, acrescentando que no primeiro ano em que o Porto de Maputo foi concessionado pelo Governo à MPDC, em 2003, foram investidos 56 milhões de dólares, estimando-se que até 2033, o investimento atinja dois biliões USD.

No ano passado, devido ao comportamento do mercado internacional, o Porto registou um abrandamento na carga manuseada, bem como no volume de negócios. Nesse quadro, o maior desafio é a eficiência e competitividade, tendo em conta que o Porto de Maputo opera em complementaridade com outros portos da região que também buscam melhores soluções logísticas.

Para além dos acordos de financiamento para a dragagem teve lugar igualmente, na última quarta – feira, 20 de Abril, a V Conferência Anual do Porto de Maputo, que se realizou sob o lema “Investindo hoje com o olhar no futuro”, uma iniciativa em curso desde 2011, com a finalidade de apresentar os resultados de desempenho do ano transacto e debater os desafios que o sector enfrenta, em particular o Corredor de Maputo.